Você está aquiWCT 12 pés na Praia da Vila - Imbituba-SC
WCT 12 pés na Praia da Vila - Imbituba-SC
Ao terminar de assistir Mick Faning levar o bi-campeonato do WCT1 em Imbituba, e ao mesmo tempo sagrar-se campeão mundial dos surfistas profissionais por antecipação de uma rodada em ondas de seis pés, que nada deixaram a desejar no circuito deste ano, lembrei-me de uma viagem que fiz a Santa Catarina em 1972, época do auge do PIER de IPANEMA, e ao chegar em Imbituba deparei-me com um swell2 de 10 a 12 pés, o dobro do swell do WCT, quebrando no outside, entre as duas ilhas.
Naquela época, o litoral de Santa Catarina estava começando (que eu me lembre) a ser explorado pelos surfistas cariocas. Ficamos embasbacados olhando aquelas ondas perfeitas, direitas pra dentro do canal e esquerdas longas que iam parar no meio da praia. Depois de meia hora tomamos a decisão de encarar aquele swell, que pra mim parecia fácil, pois era só entrar pelo canal e sem levar onda na cabeça chegar no outside; puro engano. As séries, quando entravam, nos pegavam desprevenidos e o sufoco era geral, principalmente porque as cordinhas naquela época estavam mais pra extensores do que o material usado atualmente, então para você furar uma série de doze pés era arrastado por um bom pedaço, a cordinha pouco esticava e quando se dava conta da situação, estávamos no meio de um quebra-côco pesado.
Depois de conseguir surfar umas poucas ondas, estava voltando para o outside após uma boa e longa esquerda, dei de cara com um seriado destes indigestos. Tive que furar a primeira, mas consegui passar as outras no limite e ao chegar lá fora eis que entra uma série mais indigesta ainda. Fiquei tão assustado com aquela situação que arranquei a cordinha do meu calcanhar e pensei comigo mesmo: prefiro voltar aos velhos tempos de Itaúna (Saquarema) e Pier, em que não havia cordinha e num big swell tínhamos que nadar ao perder a prancha, do que ser arrastado para o meio daquele quebra-côco em que o nosso fôlego chegava ao limite. Mas eis que DEUS me abençoou naquele momento, em vez de levar aquele serial killer na cabeça, consegui dropar a maior da série e com a cordinha apenas pendurada pela rabeta da prancha. Ao chegar no final da onda, olhei para traz e coloquei a prancha em direção da praia, a adrenalina estava muito alta e decidí: basta, já desafiei por hoje o suficiente as leis da natureza, vou ficar na areia apreciando esta bela e perfeita criação de DEUS …
ALOHA GALERA…
Ceceu
Notas
1 - WCT significa "World Championship Tour", mas também é chamado de "Circuito Mundial" ou "Divisão de Elite Mundial". Ele começou em 1992, quando a ASP (Associação dos Surfistas Profisssionais) decidiu dividir o Circuito Mundial em duas divisões (WCT/WQS). O australiano Peter Townend foi o primeiro a vencer um Círcuito Mundial, quando este ainda era unificado, em 1976
2 - Pronuncia-se suéu. Vem da palavra em inglês que significa ondulação oceânica, corresponde em português a palavra marulho, que porém é pouco conhecida dos surfistas. Quando o swell chega à praia as ondas aumentam de tamanho e força, proporcionando boas condições para a prática do surfe.

Mentirooooooso. hahaha