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Dois Malucos por Surf e um Doido
E senta que lá vem mais uma história de surf das antigas contada por esse narrador, surfista das antigas, músico e compositor: Zeca Proença.
Nos tempos do Pier estava morando na Barão da Torre em frente ao Restaurante Natural. Era só subir a Farme de Amoedo e ver o Pier de Ipanema, mesmo assim às vezes dormia na casa do Lipe (Felipe Dylon) que era em frente a Praça General Osório e mais perto das Ondas, para chegar mais cedo ainda no Pico.
Nessas saídas de madrugada para o Surf encontrávamos o Whati (irmão do Lipe) todo uniformizado indo para o Exército, e gritávamos: "- Vai piriquito verde que nós vamos surfar, o mar esta perfeito." Ele ficava doido, quase largava o uniforme e corria para o Pier. Numa semana de ondas perfeitas e crowds também eu e Lipe bolávamos um jeito de sermos os primeiros a chegar no Pico do dia seguinte, o plano era dormir na praia em frente as Ondas
Depois do Pôr-do-Sol fomos nas nossas casas e pegamos uns slepbags, lanche, água, parafina, etc e com as pranchas voltamos à praia para armar o acampamento.
Escolhemos um lugar protegido do vento, esticamos os slepbags e colocamos as pranchas fazendo uma parede de proteção. Tudo pronto, era só começar a dormir cedo, acordar mais cedo cheio de disposição para as ondas do dia seguinte.
Tudo ia bem, até que pelas duas da manhã acordo e olho para os lados para dar uma observada e noto que somos três em vez de dois, acordo o Lipe:
-Aí Lipe tem mais um obcecado nas ondas do mesmo barco!
Lipe falou:
-É mas o cara não tem prancha, não tem nada e nem pinta de surfista.
Ai olhamos legal, o cara só tinha a roupa do corpo, que era um uniforme esquisito e fingia estar dormindo, disfarçando-se de surfista. Nessa confusão levantamos-nos e o maluco também se estranhou e saiu correndo em direção da rampa que ia para o Pier, subiu no Pier e foi andando
para o mar, nisso os seguranças do Pier que acenderam os refletores, já deram o alarme e foram à captura do doido lá no final do Pier. Quando voltaram com ele, perguntamos o que acontecia, aí veio a explicação: Já tinham dado um alarme geral de que tinha fugido um doido do Pinel. A segurança do Pier que era feita por PM’s, já procuravam um doido, que havia sido visto por ali, passaram por nós e acharam que éramos três surfistas loucos por Surf e não dois loucos por Surf e um doido de pedra. Se não tivéssemos espantado o doido certamente nunca seria encontrado.
Passando esse alvoroço, voltamos ao acampamento, só que não conseguimos mais dormir, logo já amanhecia, só restava mesmo ir para dentro d’água, sem aquela disposição de uma noite bem dormida, mas fomos os primeiros a pegar altas ondas naquele mais um dia de surf doido, e fora a história que tínhamos para contar a semana inteira.
Aloha
Zeca Proença
