Você está aquiOrigem do Surf - Eu comecei a surfar assim
Origem do Surf - Eu comecei a surfar assim

Relato André Johannpeter
Filho de Érica e Jorge Gerdau – Pioneiros do surf no sul do Brasil
“Lembro exatamente o que o meu pai fazia quando eu tinha cinco/seis e sete anos de idade, éramos muito pequenos e havia o problema do peso e do tamanho das pranchas, eu não conseguia carregar e o meu braço não alcançava a borda, coitado do pai, tinha que carregar às vezes três pranchas e botar na água, ele nos empurrava na onda, porque a gente não conseguia remar, só subia e se equilibrava um pouco.
Então esse foi o início do surf, dentro da família, eu, meus tios, irmãos e primos, o Carlos meu irmão, o Claudio meu primo, que tem mais ou menos a minha idade, a gente começou a surfar desse jeito, lá em Torres, onde tudo começou. Mas antes disso eu brincava na espuma com uma pranchinha de isopor, ideal para crianças, depois coloquei quilha e cordinha na planonda, o que não deu muito certo. Lembro também de usar as roupinhas Quem quem, essa foi uma moda que pegou por alguns verões, porque protegia a barriga das assaduras.”
OS EVENTOS DA GURIZADA
O veraneio se resumia em surfar e se preparar para o surf
O surf cresceu rápido na Guarita, tinha um molhe de pedras separando Itapeva, e ainda não existia o leash (cordinha de segurança), então o evento era assistir um surfista cair e perder a prancha que vinha arrastando tudo e todos que estivessem pela frente, e ela vinha pegando forte.
O pessoal hoje não tem noção disso, era um negócio que exigia saber nadar bem, porque sempre voltavam nadando para a praia, não havia outro jeito, era normal cair, ninguém tinha controle daquilo e as pranchas deixavam a desejar, afinal, estavam todos aprendendo. Este é um dos fatos que marcaram aquele início, pranchas indo parar nas famosas pedras dos molhes e quebrar, consequentemente era preciso remendá-las.

O melhor do surf sempre era na parte da manhã, e a tarde quando entrava o nordestão de verão, muito comum no litoral riograndense, o que tornava o surf impraticável nesse horário, ia todo mundo à ferragem comprar tecido, resina e cobalto, logo depois ia
m parar na garagem para consertar as pranchas, tudo era um programão para a gurizada, já fazia parte do preparo como um ritual. Eles mesmos remendavam, sempre tinha o amigo habilidoso, e colocavam pigmento para o remendo não ficar feio, tinha remendo de 20/30 centímetros, igual a um tubarão mordendo aquelas pranchas. E assim os dias de ver
ão se passavam em função do antes e depois do surf, era uma turma que surfava e iam juntos em tudo.
Outra atividade dessa turminha era preparar a parafina, eles compravam aqueles blocos, derretiam o diabo da parafina quente e depois pincelavam a prancha, e aquilo deixava uma camada que agarrava bem, até que ficava bom, mas era um crime. Só existia parafina e vela, mas vela não funcionava então, o jeito era improvisar com o que tinha.
O APOIO DAS MÃES
Isso é um negócio bacana. Torres era uma praia relativamente pequena nos anos 60, as mães eram amigas e se revezavam para cuidar e dar carona para essa gurizada, a Luiza, mãe do Alemão Caio, às vezes vinha num Jipão e levava a turma, a Érica, mãe do André, a Marília, mãe do Massa, e outras mães também participavam dessa rotina, e ninguém queria sair da praia, às vezes passavam o dia inteiro surfando, o maior limitador era o sol do meio dia, meio dia e meio, obrigava o pessoal a ir embora, mas voltavam depois das quatro, e essas mães tinham o papel fundamental de levar e trazer, foram grandes incentivadoras, e também porque elas gostavam daquele movimento todo de pegar uma prainha.
Alguns nomes da gurizada
Os irmãos Massa, Pingo e Leonel Obino, o Ziza e o Marcelo Mottin “Negão”, o Carlos, o Kito que era um pouco menor, o Claudio e o Cristiano Johannpeter, o Dado Bier que era um pouco menor, o Titino. Tem muita gente...

Os nomes em branco na foto são o Renato Rizzo e o Antonio Job Barreto.
Obrigada pelos nomes que faltaram, de grande ajuda. beijos Cris
Obrigado por sua contribuição Marcello Mottin.
Volte sempre!
Abs
Tem os que fazem história, outros que contam....vc faz e conta!
Recordar é reviver....massa mesmo
Gostei da afirmação, só não sei afirmou.
Obrigada pelo incentivo.Bj Cris
Uma grande escritora é aquela que consegue prender o leitor as suas palavras, e isso, tu sabes fazer com perfeicao, parabéns continue seguindo esse lindo trabalho, pois isso e pra poucos.
Obrigada! Fico deliz que gostou.
Abraço
Cris
Adorei a reportagem.Parabens, Cris,voce captou bem a idéia, a gurizada já
surfava compenetrada àquela época. Siga em frente voce é muito boa nisso.
Beijos. Clóvis.
Clóvis,agradeço as palavras..Fiquei muito feliz de te encontrar aqui. Volte sempre! Beijoss Cris
Adorei a reportagem.Parabens, Cris,voce captou bem a idéia, a gurizada já
surfava compenetrada àquela época. Siga em frente voce é muito boa nisso.
Beijos. Clóvis.
Excelente relato Cris.
Parabens.
Ahh verão do Sul, não tão abafado, mas também não tão frio! Esses tempos são preciosos, principalmente na origem do surf, que, para um jovem é tudo novo, magina surfando! Melhora o verão em 100%, principalmente na época em que dependiamos de terceiros para nos levar em tal destino, porque é neste ponto que faziamos jus ao lugar querido!
Abracão,
Lucas Búrigo.
excelente relato! parabens pelo blog....
Felipe, fico muito feliz e agradecida, este relato faz parte da pesquisa do Livro origem Surf no Sul, que está sendo preparado para entrar no forno...Visitei tua página e quero te parabenizar pelo trabalho com as pranchas de madeira, lindas..
Abraço Cris