A decadência do Arpoador é a decadência do Rio. É a decadência do Brasil. É o nosso país indo pro ralo e levando tudo junto. As cidades ficando cada vez mais perigosas, as praias mais poluídas, as pessoas mais desesperadas. Me lembro quando eu tinha uns 10 anos, de brincar a noite de polícia e ladrão no Arpoador, valendo a pedra toda. Eu e mais uns 20 moleques. A gente surfava de dia e brincava de noite. Não tinha perigo, não tinha violência. Trinta anos se passaram. Sentado nessas mesmas pedras com meu filho, contei isso a ele, que me olhou atônito. "Mas não tinha violência? Papa, você teve muita sorte", exclamou. Ele tem razão. Tive mesmo. O Arpex daqueles tempos era uma maravilha. E o Rio, e o Brasil, ainda não tinham virado a porcaria que virou. Mas não precisa ser nenhum gênio pra entender que já desde os tempos da carochinha estamos todos sentados bem em cima de uma bomba relógio.